domingo, 20 de março de 2022

Conto de assombração "A visagem da bicicleta"

 

A VISAGEM DA BICICLETA


Natália de Jesus


Era dia de finados. As pessoas que moravam numa vila afastada da Avenida principal, tinham que esperar o ônibus que passava pelo fim da tarde, para irem ao cemitério acender velas aos seus entes queridos.

O cemitério ficava no meio da avenida que em dias normais não era muito movimentada, porém, todos os anos, nesse dia, o movimento era muito intenso e as pessoas que tinham seus veículos iam rapidinho, acendiam suas velas e retornavam para casa sem nenhum problema; mas, os moradores de bairros mais afastados que não tinham veículo, necessitavam de transporte público para se locomover.

Na pequena vila onde aconteceu o que vou contar, a maioria nas pessoas que moravam precisavam esperar o ônibus que naquele dia levara muita gente de um cemitério para o outro, sempre lotado.

Uns rapazes estavam perto da via pública conversando e observando o movimento enquanto esperavam a próxima condução, quando apareceu uma mulher montada numa bicicleta e perguntou:

- Vocês querem ir comigo?

E os meninos responderam um pouco assustados:

- Não. Obrigado. Estamos aqui esperando o ônibus. – e a mulher foi embora.

Logo em seguida, vem um senhor também de bicicleta. A impressão que deu era que a mulher viera apenas um pouco adiantada dele, o que fez com que os rapazes pedissem que o homem parasse para perguntar se ele havia visto aquela mulher. O velho, meio assustado, perguntou como quem não entende nada:

- Que mulher? Não tinha ninguém logo a minha frente. Passeio todos os dias por aqui de bicicleta e nunca vi nenhuma mulher pedalando. Até mesmo porque nessa comunidade quando as mulheres saem de bicicleta são levadas pelos seus maridos.

Nesse momento o ônibus apareceu e rapidamente os rapazes subiram e naquele dia, logo depois que chegaram do cemitério, foram direto para casa sem sequer cogitar a possibilidade de parar para uma prosa na beira da estrada como costumavam fazer.

 

Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html

Conto de assombração "A mulher do saco"

 

A MULHER DO SACO

 

                Por Gabriele Rosa Sousa

                Thaís Matos dos Santos

              e Renata Thaíse Gomes da Silva

 

Por volta de 1996, em Bragança, na estrada do Monte Negro, Km 7, numa pequena vila chamada Igarapauca, uma criança começou a ver uma mulher estranha e apenas ele via por volta das 12 e 18hs. Era costume Alex vê-la todos os dias. Sua casa ficava bem em frente a um caminho onde todos transitavam; principalmente no horário do meio-dia, em que os trabalhadores retornavam para suas casas.

Alex tinha o costume de brincar em frente a sua casa e passou a ver aquela mulher suja, de cabelos longos e desgrenhados, com um saco nas mãos.

Todas às vezes que ela passava, chamava o menino que, assustado, corria para chamar a mãe.

Maria, a mãe de Alex, assustada e preocupada com as visões do filho, tentava distraí-lo para que não tivesse medo e falava a ele para ficar bem longe da mulher do saco.

Passaram-se dois dias depois da última visão e Alex adoeceu sem nenhum motivo. Cada vez mais a febre e a dor de cabeça iam piorando e a mãe resolveu levá-lo ao hospital. Os médicos fizeram alguns exames e não descobriram o que ele tinha.

A única coisa que o menino pedia era para tomar água e se alimentava através de soro.

A todo o momento dizia para sua mãe que não queria morrer, mas, depois do terceiro dia de internação, o menino morreu por volta de uma da manhã.

Maria disse que a misteriosa mulher apareceu apenas para levar seu filho e a partir daquele dia, todas as crianças do vilarejo não mais tinham permissão para brincar ao meio- dia fora do espaço de sua casa por medo de que a mulher do saco aparecesse e as chamasse também.

 

Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html

Conto de assombração "A mulher de branco"

      A MULHER DE BRANCO

         Kátia Cilene Sousa da Silva

Antigamente, quando ainda não existia televisão, as pessoas do interior costumavam dormir cedo por causa do cansaço do trabalho, mas, em dados momentos, quando ocorriam as festas de santos, alguns costumavam sair e retornavam tarde para suas casas.

No percurso de volta, sempre se lembravam da mulher de branco que aparecia pelas estradas. Dizem até hoje que ela è muito linda e tem os cabelos longos. Aparece sempre debaixo de uma mangueira e os antigos diziam que ela é a guardiã de um imenso tesouro.

Certo dia, numa comunidade que também acredita na lenda da mulher de branco, um morador saiu para uma festa que ia acontecer um pouco distante do sítio onde morava.

Antes de sair, a mãe, temerosa, lhe recomendou que não voltasse muito tarde porque tinha medo de que o filho se deparasse com a visagem. Mas ele sequer parou para ouvir os conselhos e saiu.

Quando chegou à festa, encontrou-se com os amigos para uma noite de diversão. Enquanto isso, as horas foram passando e depois da meia-noite, aos poucos os amigos do rapaz foram saindo em respeito às recomendações de seus pais, mas, ele permaneceu até que ficou sozinho e resolveu também pegar o rumo de volta para sua casa.

Enquanto retornava, o mistério da noite fez com que ele se lembrasse da visagem que todos comentavam e do que a mãe lhe recomendara.

Quando se aproximou da mangueira de que todos falavam, um arrepio fez com que ele acelerasse as pedaladas na sua bicicleta. Mas, um instante depois, um vulto todo vestido de branco, embaixo da mangueira o fez titubear e quase cair.

Ficou olhando meio que paralisado enquanto a mulher também parecia olhá-lo calma e parada no seu lugar assombroso. Não dava para saber se era mesmo linda como diziam; o que imperou naquele momento foi o medo que fez com que ele montasse novamente na sua bicicleta e saísse na disparada sem olhar para trás.

Assim que chegou em casa, assustado e trêmulo, a mãe já o esperava; preocupada e ansiosa. Ele então a abraçou e prometeu que não iria mais sair sozinho durante a noite. Porém, quando o dia amanheceu, o rapaz estava ardendo de febre e a mãe o levou a casa de uma benzedeira e depois de alguns dias doente, ele ficou bom, mas, nunca se esqueceu da experiência de ter visto a mulher de branco.

Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html


Conto de assombração "A missa dos mortos"

                                A MISSA DOS MORTOS

                                     Por Jeferson Thiago Mescouto

Na cidade de Bragança, há muitos anos, existiu uma capela denominada de São João, no que conhecemos como bairro da aldeia

um dos bairros mais antigos da cidade.

A capela foi construída por moradores do bairro com o auxílio dos padres locais. na igrejinha, os populares frequentavam as missas, terços e ladainhas dedicadas ao padroeiro.

Com a igrejinha erguida, as primeiras peregrinações à nossa senhora começaram a sair da capela para a Igreja Matriz – atual Igreja São Benedito - que na época se chamava Nossa Senhora do Rosário.

Com a morte do zelador, a igrejinha ficou esquecida e cada vez mais diminuía o número de fiéis frequentadores.

Algum tempo depois, um senhor chamado João começou a zelar pela capelinha. Ele cuidou até ficar velhinho e morrer.

Durante anos a igrejinha ficou de portas fechadas até que no bairro começaram a chegar novas famílias católicas. Os padres acreditaram que a comunidade São João se formaria novamente, pois, além da Matriz, era o único templo católico na região do Caeté e a população crescia. Era uma preocupação para o bispo e padres.

A capela São João abriu suas portas e o povo voltou a frequentá-la. O bispo enviava padres uma vez por mês e as missas eram sempre lotadas.

Com as suas atividades normais, os comunitários pagaram um zelador e sacristão. Era um neto do antigo zelador, Seu João. Ele, todas as noites dormia na igreja.

Nos primeiros dias, nada ouviu de estranho, mas, quando chegou à sexta-feira, logo depois da meia-noite, sons confusos ecoaram dentro da igrejinha.

Assim que amanheceu o dia, ele comunicou o ocorrido à comunidade e alguns vizinhos se ofereceram para fazer-lhe companhia na próxima sexta-feira.

Chegado o dia, os homens se reuniram e assim que escureceu, o grupo entrou no templo para pernoitar.

Nessa noite, eles ouviram velas caindo, portas batendo e barulhos como se alguém mexesse em coisas na sacristia. Quando corriam para ver, não era nada. Tudo estava no mesmo lugar. Eles ficavam confusos e no dia seguinte comentavam com os populares.

Na terceira sexta-feira do mês, não ouviram nada; mas, na quarta, eles decidiram dormir na sacristia para ver se viam ou ouviam algo. Porém, acabaram dormindo.

À meia-noite, um deles ouviu vozes, depois, um clarão dentro da igreja. Quando olhou, viu umas pessoas rezando como se estivessem numa ladainha no centro da capela. Ele achou estranho, pois, como aquelas pessoas tinham entrado se ele tinha a chave?

Ele chamou os colegas que foram verificar o que estava acontecendo. Olharam pela porta da sacristia e viram gente rezando de cabeça baixa e o padre e os coroinhas seguravam velas, posicionados no altar da igrejinha.

Observando aquelas pessoas, de repente os homens perceberam que os pés delas não tocavam o chão, como se flutuassem. Concluíram então que era gente morta.

Quando olharam novamente para o padre, pegaram o maior susto ao perceber que ele era na verdade, uma caveira; e saíram dali gritando, apavorados.

A história ficou muito falada no bairro, na cidade e em toda a região do Caeté.

Apenas os moradores mais antigos sabem desse acontecimento.

A capela ficou desprezada e aos poucos se transformou em ruínas, que o tempo fez desaparecer.

Essa história foi a minha tataravó que frequentava a igrejinha que contou para minha bisavó que era criança e chegou a ver a capela e por sua vez transmitiu para minha mãe que me contou e eu escrevi.

 

Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html

Conto de assombração "A visagem do poço"

              A VISAGEM DO POÇO

             Por Joelson dos Santos Lima

Eu me lembro de uma história que aconteceu quando eu era só uma criança. Perto da minha casa tinha um beco que ficava frontal a um campinho escondido. Em frente a uma das casas que lá havia, existia um poço de onde as pessoas tiravam água. Um dia, um senhor bêbado caiu neste poço e veio a falecer. Desde então, todas às noites, escutava-se gritos que vinham de dentro do poço e alguém puxando água.

As pessoas da vizinhança se apavoravam quando escutavam os gritos. Ninguém se arriscava a chegar tarde em casa. Mas, um dia, um dos moradores que estava em uma festividade, esqueceu-se da hora. Quando retornou, passava da meia-noite, e, aproximando-se do campinho em direção à sua casa, ouviu um barulho que parecia de alguém puxando água. Curioso, resolveu ver quem era. Quando chegou, não viu ninguém, aproximou-se devagar, olhou dentro do poço e foi quando os vizinhos ouviram um alto e apavorante grito.

Nunca mais esse rapaz foi visto e nenhum outro morador se aproximou do poço durante a noite com medo da visagem.

 

Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html

Conto de assombração "A lenda do Arrastador"

A LENDA DO ARRASTADOR

Artur Wisley Monteiro de Holanda

Há muito tempo, uma família de maranhenses veio embora para Bragança e logo que chegaram à cidade, conseguiram comprar uma velha casa que ficava numa esquina.

Nessa família tinha uma jovem moça de dezessete anos que adorava sair para passear.

Quase todas as noites ela saia e às vezes esquecia-se do tempo e acabava chegando um pouco fora do horário determinado pela mãe, que sempre chamava sua atenção:

 Minha filha, você não pode chegar muito tarde em casa!

– Por que mamãe? - perguntou a menina com ar brincalhão.

– Porque minha filha, logo que chegamos a essa cidade, os vizinhos me contaram que nessa rua, em algumas noites, aparece um arrastador. Dizem que é a alma de um escravo que morreu acorrentado e agora ele anda vagando, arrastando suas correntes, querendo se vingar de qualquer um que encontrar pelo caminho. Sempre que passa da meia-noite, quando ele passa na rua, os cachorros fazem um barulho estranho como se estivessem apanhando. Então, minha filha. Cuidado! A partir de hoje, não chegue mais tarde em casa. Tá bom?

A menina, rindo falou:

  É bobagem mãe! Isso não existe. e foi dormir.

No outro dia, quando ela se preparou para sair, novamente a mãe lembrou-lhe do horário, mas a menina logo retrocedeu:

  Tá, mãe!

Porém, enquanto estava na praça com seus amigos, não percebeu o passar do tempo. Entre conversas e brincadeiras ficou até depois da meia-noite. Quando percebeu que era muito tarde, praticamente saiu correndo para que a mãe não ficasse contrariada.

Assim que chegou à rua de sua casa, ela sentiu algo estranho. O silêncio parecia ameaçador e ela sentiu medo. Apressou o passou e nesse momento se arrependeu por não ter obedecido aos apelos da mãe. Ainda mais porque estava sozinha. Como saber quem poderia lhe fazer mal? Ao olhar na direção da rua, de longe ela viu uma pessoa coberta com uma manta preta, aproximando-se lentamente. Amedrontada, correu para sua casa e quando estava quase na frente, a vizinhança escutou um enorme grito que ecoou pelo bairro como o presságio de uma tragédia.

Todos correram para socorrê-la, mas, no lugar de onde presumiam vir o grito, encontraram apenas os sapatos e a bolsa que ela usava quando saiu.

Dizem que a mãe da moça no seu desespero tinha certeza de que ela fora levada pelo arrastador.

“CUIDADO QUANDO VOCÊ SAIR MUITO TARDE DA NOITE. SE VOCÊ MORA PRÓXIMO À PASSAGEM JOÃO DIOGO É EXATAMENTE A RUA POR ONDE EM ALGUMAS NOITES ATACA O ARRASTADOR”.


Disponível em http://nascimentoeila.blogspot.com/2014/02/contos-de-assombracao-criados-pelos.html

Conto de assombração "A visagem da bicicleta"

  A VISAGEM DA BICICLETA Natália de Jesus Era dia de finados. As pessoas que moravam numa vila afastada da Avenida principal, ...