A LENDA DO ARRASTADOR
Artur Wisley Monteiro de Holanda
Há muito tempo, uma família de maranhenses veio embora para Bragança e logo que chegaram à cidade, conseguiram comprar uma velha casa que ficava numa esquina.
Nessa família tinha uma jovem moça de dezessete anos que adorava sair para passear.
Quase todas as noites ela saia e às vezes esquecia-se do tempo e acabava chegando um pouco fora do horário determinado pela mãe, que sempre chamava sua atenção:
– Minha filha, você não pode chegar muito tarde em casa!
– Por que mamãe? - perguntou a menina com ar brincalhão.
– Porque minha filha, logo que chegamos a essa cidade, os vizinhos me contaram que nessa rua, em algumas noites, aparece um arrastador. Dizem que é a alma de um escravo que morreu acorrentado e agora ele anda vagando, arrastando suas correntes, querendo se vingar de qualquer um que encontrar pelo caminho. Sempre que passa da meia-noite, quando ele passa na rua, os cachorros fazem um barulho estranho como se estivessem apanhando. Então, minha filha. Cuidado! A partir de hoje, não chegue mais tarde em casa. Tá bom?
A menina, rindo falou:
– É bobagem mãe! Isso não existe. – e foi dormir.
No outro dia, quando ela se preparou para sair, novamente a mãe lembrou-lhe do horário, mas a menina logo retrocedeu:
– Tá, mãe!
Porém, enquanto estava na praça com seus amigos, não percebeu o passar do tempo. Entre conversas e brincadeiras ficou até depois da meia-noite. Quando percebeu que já era muito tarde, praticamente saiu correndo para que a mãe não ficasse contrariada.
Assim que chegou
à rua de sua casa, ela sentiu algo estranho.
O silêncio parecia ameaçador e ela sentiu medo. Apressou o passou e nesse momento se arrependeu por não ter
obedecido aos apelos da mãe. Ainda
mais porque estava
sozinha. Como saber
quem poderia lhe fazer mal? Ao olhar na direção
da rua, de longe ela viu uma pessoa coberta
com uma manta preta, aproximando-se lentamente. Amedrontada, correu para sua casa e quando estava quase na frente, a vizinhança escutou um enorme grito que
ecoou pelo bairro como o presságio de
uma tragédia.
Todos correram
para socorrê-la, mas, no lugar de onde presumiam vir o grito, encontraram apenas os sapatos
e a bolsa que ela usava quando saiu.
Dizem que a mãe da moça no seu desespero tinha certeza de que ela fora levada pelo arrastador.
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