sábado, 19 de março de 2022

Conto de assombração "Johan, o morto"

 

                        Johan, o morto

                                    Autor: Pedro Henrique de Carvalho Temporim

Olá, sou Johan e aconteceu algo misterioso no dia do meu aniversário. Achei muito estranho. Agora vou contar a vocês.

Dia 21 de outubro de 1991, o dia do meu ani- versário, minha tia me deu uma caixinha estranha e como eu era uma criança tranquila, guardei-a no meu quarto, o que foi uma péssima ideia...

Às duas da manhã, ouvi um rugido, parecido com o de um leão. Eu levantei da cama, olhei para os lados, achando que era uma pegadinha, mas não era.

Eu vi a caixinha brilhando e... Uh, oh!                                          

Eu acordei na minha cama. Ah! Era um sonho! Fui escovar os dentes e...

  AAAAAH!

Exatamente isso.

  COMO EU VIREI UM FANTASMA!?

Confuso e surpreso, corri para a cozinha onde meus pais estavam e chamei-os para mim, mas nada.

                               –   PAIS, EU TÔ AQUI, POR FAVOR, ME ES- CUTEM!!!

Não adiantou nada, mas nesse momento eu     ouvi alguém.

  Oh! Oi! Você é novo aqui?

  Quem é você? perguntei.

  Meu nome é Lara, qual é o seu?

  Meu nome é Johan.

         –    Bem-vindo ao mundo dos mortos! disse Lara e me deu um sorriso como se não se importasse com nada, como se não ligasse para o fato de que  estava morta.

         Eu, com medo e assustado, falei:

  M-Mundo dos mortos?!

       –  Sim! Aqui é legal, você vai gostar daqui. Venha! Ela puxou o meu braço para ir à rua e... Fiquei surpreso e assustado ao mesmo tempo, pois todo mundo estava acenando para mim fora, “Olá! Bem-vindo! Seja feliz!’’ No entanto eu não estava fe- liz lá, porque ali não era minha casa e eu queria voltar para os meus pais. Então, a Lara falou:

         – Você quer voltar para sua casa, não é? Todos nós queremos, mas Ele quer a gente feliz.

          Então eu fiquei com uma questão na cabeça.

                            Ele? Quem é Ele?

   Ele comanda tudo aqui, Ele nos traz para cá depois que morremos.

Então eu fiquei feliz, porque vi uma oportunidade para voltar à vida.

          – Então Ele pode conseguir fazer com que eu volte à vida! Vamos!

Fiquei muito feliz por isso, mas a Lara olhou para mim com dó, como quem sabe que eu me iludia, no entanto eu não me importei, pois queria correr e voltar aos braços dos meus pais.

A gente estava chegando a uma vila fantasma, onde tinha mais ou menos 100 ou 90 pessoas e... AH! UM CACHORRO! CUIDADO!... Espera! Eu estou falando para mim mesmo ter cuidado? Agora isso não importa. CUIDADO!

  Ah! Uh? Um cachorro vira-lata fantasma?

  Vira-lata não, falante. respondeu o cão.

  Eu fiquei arrepiado e surpreso! Como um ca- chorro consegue falar? Então vi uma pessoa correndo na direção dele e que parecia estar com raiva.

                                  –   Finalmente eu peguei você! Seu cachorro imundo!

                                  –  Mas eu tomo banho na chuva, como eu posso ser imundo?

   –  Ooooohh... Seu...

   Parei a briga, separando os dois:

   –  Parem de brigar! Primeiro, quem são vocês?

            –   Eu sou Mike, o açougueiro, e este cachorro imundo é o Bombom.

                            –   Esse era meu nome, com que meu dono me chamava, e quem são vocês? perguntou Bombom.

  Eu sou o Johan e ela é a Lara, a gente está indo para aquela mansão onde tem “Ele’’.

Falei para eles quem eu era, que ontem havia sido meu aniversário e que uma caixinha estranha me trouxera até aqui.

  Que dureza.     lamentou Mike.

  –  A gente vai te ajudar, aliás ontem era seu ani versário disse Bombom.

A gente seguiu o nosso caminho. Eu estava de- terminado a voltar à vida. Andamos por vinte e qua- tro horas. estávamos ficando cansados, quando vimos uma casa abandonada, velha e Uh! O que é aquilo voando?

   Gente... Acho melhor a gente co... tentei

falar.

E todos nos separamos, todos no escuro. Senti

alguém respirando ao meu lado, olhei para trás e não havia ninguém.

  Oh! Um novo amigo!

  AAAH!

Não acredito que fui interrompido na minha narração. Continuando... Eu me assustei, ali estava uma criança de seis anos.

        – Oh! Você é tímido, né? Então deixa eu me apresentar: eu me chamo Nicole, Nicole Boston, qual é o seu nome?

          –   O, O meu é Johan. Por que estou aqui? Cadê meus amigos?

         –  Ah! Eles estão seguros, mas eu queria brincar com você, porque você parece ser divertido!

Ela deu um sorriso como o de quem ganhava um doce. Brincamos por uma hora, mas parecia que

                   meus amigos estavam me procurando, então eu deci- di falar com ela:

  Nicole, por que você está sozinha?

  Então – ela me disse – eu morri num acidente e meus pais não, mas não importa!

   Então você estava sozinha todo esse tempo?    perguntei.

Ela acenou a cabeça, parecia estar triste por lembrar-se disso. Então eu decidi fazer algo.

  Nicole, você quer ir conosco até Ele?

Nicole ficou feliz, pois havia estado nessa casa por muito tempo. Então ela balançou a cabeça e a gente saiu da escuridão a procura dos meus amigos pra continuar a jornada.

          –   Gente, essa é a Nicole, ela vai vir conosco na nossa viagem.

E todos aceitaram-na no grupo, para continuar a nossa jornada. Nada pode dar errado!


                         Falei cedo demais? Hehe!

   –  ESTÁ COMEÇANDO UMA TEMPESTADE, VAMOS PARA AQUELA CAVERNA!

                         –  Ah, ainda bem que estamos... começou a fa- lar Mike quando o cachorro tampou a boca dele com uma de suas a patas.

Parecia que algo estava errado. Mas o quê?

         –  Porque você tampou minha boca, seu cachor- ro fedido? - perguntou Mike.

E Bombom respondeu:

  Olha... para trás... de... você!

Mike ficou em dúvida sobre o que era. Era um urso.

Todos ficaram quietos, pois era um animal enorme! E como Johan, eu, sempre

fora muito exibido, falei da boca pra fora:

  Ufa! Ainda bem que ele está dormindo!

  Estou sim concordou o urso.

Todos ficaram arrepiados e pálidos. O urso continuou:

  O que vocês humanos e...

  Cachorros acrescentou Bombom.

  Não me interrompa! O que vocês estão fazen- do na toca do Guardião do Poder?

  Nós queremos chegar até Ele.

  Hum, então sigam-me! ordenou o urso.

Os “heróis’’ então caminharam pela caverna que parecia ser um atalho até a porta de entrada da mansão Dele, uma caminhada de mais ou menos uma hora. Até que alguém do grupo puxou conversa.

                       –   Então, Sr. Urso, por que você vive nessa caverna? – era Bombom curioso.

          –  Eu sou o guardião desta floresta, vejo quem pode ser o escolhido para passar e chegar a Ele. E esse tal de Johan parece ser. Fiquei em dúvida por duas razões. A primeira: como ele sabia meu nome? E a segunda: por que eu?

Chegando à mansão, despedimo-nos do urso para lá entrar. Ela parecia grande demais como o Go- dzilla. Chegamos à sala principal e finalmente...

    Johan, Lara, Mike, Bombom, Nicole, bem-vindos! Ele nos recepcionou.

Interromperam-me de novo   aqui.   Que   dó do narrador, né? Vocês devem se sentir tristes pelo narrador. Mas, enfim, continuando... Ficamos com medo, porque Ele era muito alto, mais alto do que um prédio.

   Eu conheço o seu destino, Johan, e conheço também os de seus amigos, todos

querem voltar ao mundo dos vivos disse Ele.

  Sim! Você pode nos levar de volta? perguntei.

         –    Então, Johan... eis aí o problema, eu posso trazer a vida de somente um de vocês.

Fiquei chocado ao ouvir o que Ele havia dito. Queria que todos voltassem felizes e eu não tinha es- colha! Como escolheria?! O que eu faria!?...

          –  Johan, vai você – recomendou Lara – A gente já está acostumado a estar aqui, mas você não, você nos uniu, você nos tornou amigos e a gente ainda pode viver juntos, estando mortos ou vivos.

Vi uma lágrima dela caindo.

Eu estava quase chorando, porque afinal eles eram meus amigos, não queria abandoná-los.


        –   É verdade, Johan, nós estamos unidos, mor- tos ou vivos – concordou Mike.

  –  Seremos amigos mesmo assim, Johan. A gente te ama confessou Nicole.

                              Eu então fiquei feliz e decidi:

                                 Vou voltar!

                                 –  Tem certeza? – perguntou Ele. Johan acenou com sua cabeça.

                              –    Feche seus olhos e pense na sua família – orientou Ele.

                             E o que será que aconteceu? Será que eu voltei? Ei! Ei! Não vá embora, já está acabando esta história, leia o resto.

                Acordei no meu quarto, onde era para eu estar desde o começo desta história e vi a caixinha. Lembrei-me de meus amigos.

E para não acontecer tudo isso de novo, joguei a caixinha no chão e “PÁH!”, pisei nela para quebrá-la, até ser interrompido pela voz da minha mãe:

  JOHAAAAAAN!!!!!



Autor: Pedro Henrique de Carvalho Temporim, 6º ano do Ensino Fundamental

EMEF Sérgio MillIet

DRE - IQ

Professora orientadora: Fernanda Elisa Pansica

Disponível em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/Antologia_Contos_2020_web-1.pdf 

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