Príncipe branco
Por Daniel Queiroz Silva
Há muito tempo, em um reino distante havia uma família feliz: o rei, a rainha, e o recém-chegado príncipe. Um bebê recém-nascido que ao completar seus 17 anos desenvolveria poderes. Sua tia, irmã do rei, cobiçava esse poder que o garoto teria. Então, assassinou o rei e a rainha, assim ficando no lugar do irmão e de modo que a criança nunca descobrisse o tal poder. Ela mentiu para o menino, alegando que a família real havia sido assassinada por um homem. Disse ao príncipe que quem havia assassinado sua família tinha sido o homem que sempre foi o braço direito do rei, o único que sabia sobre os poderes dele. A nova rainha, então, decidiu mandar executá-lo por ter sido o causador da morte da família real. Com isso, ela cuidou do herdeiro, sem ter que matá-lo e assim ficando de olho nele. Sem ninguém desconfiar, ela o transformou em um servo.
Muitos anos se passaram e o príncipe acabou descobrindo o segredo da rainha, de que ele iria desenvolver poderes ao completar dezessete anos. Quando chegou próximo de seu aniversário de 17 anos, ele resolveu bolar um plano para escapar e revelar o ocorrido a todos e assim destronar a rainha, mas, algo não ocorreu conforme o planejado. A rainha descobriu o plano do príncipe e ordenou que uma de suas servas mais leais o assassinasse na floresta negra.
Então, durante a noite, enquanto ele
dormia, foi carregado até a
floresta, acordando assustado, notou que
não estava mais no castelo, e sim em um lugar
muito distante. Chegou
a um lugar completamente ao extremo dos limites do reino e foi jogado contra o chão, assim a serva da rainha lhe
tirou o capuz que cobria seu rosto e
ficou encantada com o que viu. Ela tinha
que matá-lo e com um punhal na mão tentou, mas falhou.
A serva havia se encantado muito com a beleza do príncipe, desse modo cortou
as cordas, apontou o dedo para longe e disse:
– Vá, antes que eu mude de ideia, sua tia, a rainha, quer garantir que você não se torne uma ame- aça, ela me ordenou que lhe matasse, mas algo em mim não quer isso. Fuja! Agora! – disse a serva, com a cabeça baixa.
– Muito obrigado por me dar uma chance – disse o príncipe.
Assim ele correu, correu muito e a cada
passo que dava a floresta parecia
estar mais escura. Então, ele
tropeçou e quando notou havia uma pequena casa
à sua frente. Ele entrou e viu uma mesa, com espaço para sete pessoas, então notou que havia
mais um andar, decidiu subir, e
lá havia um quarto com sete camas.
Mal percebeu, mas ao fundo vinha um barulho de conversa, talvez, dos donos da casa.
Correu e tentou se esconder, mas já era tarde de- mais, a porta começou a ranger e uma figura monstruosa começou a surgir. O príncipe ficou com medo, até que notou uma luz aparecendo na direção da criatura. Era uma vela e, de repente, pode perceber que não era monstro nenhum, mas sim, uma mulher, uma mulher que havia avistado ele. Ela ficou surpresa, olhou na di- reção da porta, assim fez sinal de estar chamando mais alguém, e de lá, outras seis moças iguais a ela apareceram. Quando elas o avistaram o encararam surpresas, a moça com a vela na mão olhou pra ele e disse:
– Você está bem? Parece que está com medo, nós moramos por aqui.
– Ah, bem, eu sou o príncipe do reino ao lado, minha tia assassinou minha família por desejo de po- der. Estou próximo de fazer dezessete anos, com isso me tornarei uma ameaça para ela, por isso ela man- dou uma de suas servas me matar, mas a serva me mandou fugir poupando a minha vida, e agora estou aqui - disse o príncipe com um sorriso no rosto.
– Fiquei feliz por encontrar pessoas que não me
quisessem morto.
Uma das mulheres com cara de furiosa disse:
– É o seguinte, você é um estranho, invadiu nossa casa, e ainda quer que
acreditemos nisso?
– Fa lou quase com a cabeça explodindo.
– Se acalme! – disse a mulher a ela mesma.
Onde estão meus modos. Vou me apresentar:
– Eu sou Artesã. Essa é a Furiosa, a Senhora, Sonata, Afortunada
e a mais
alegre do grupo: a Carinhosa. Somos guerreiras.
– Bem, todos me chamam de príncipe Branco.
– Ora! É um prazer lhe conhecer – disse Cari nhosa cumprimentando
o príncipe.
– Eu sou a única que acha que confiar nele é um erro? – Disse Furiosa
resmungando.
– Ora, não se preocupem, eu sei limpar, lavar e cozinhar - disse o
príncipe tentando convencê-la.
– Cozinhar! Espero que ao menos sua comida seja boa. – Disse Furiosa.
– Bem, deixe-me explicar, ficamos muito tem- po fora. Estamos morrendo
de fome. Então, se puder, prepare algo muito gostoso para nós – disse a Artesã.
– Deixe comigo – disse o príncipe.
Assim se passaram alguns dias, as guerreiras iam trabalhar e ao retornar pra casa tinha comida na mesa, a casa ficou limpa e arrumada como nunca antes havia ficado. Mas, a paz não reinou por mui- to tempo, pois logo a tia do príncipe descobrira seu paradeiro. Assim bolou um plano, mandou entregar uma torta de pera ao príncipe, pra isso se disfarçou de senhor para que não desconfiasse dela. Então, ela foi justo quando as guerreiras não estavam. Deixou a torta na janela e o príncipe notou.
– Não me lembro de ter feito
nenhuma torta, ou será que a colocaram aqui? Não
importa, já está fria, bem vou provar então.
Mal o príncipe sabia que ao cortar a
torta estava se condenando, assim
após morder a torta caiu duro no
chão. As guerreiras ao voltarem e vê-lo daquele
jeito, correram para o outro reino para bem longe da rainha.
Chegando lá, pediram ajuda para a doce princesa. Então, explicaram o ocorrido, a princesa foi pedir ajuda ao mago do reino e descobriram que somente o beijo de um verdadeiro amor poderia quebrar o feitiço. Ao olhar para o príncipe ela se encantou, não pensou duas vezes e o beijou. Ele acordou e notou que havia acabado de ser salvo por uma mulher e fi- cou encantado por sua beleza. Assim eles se casaram, derrotaram a rainha e conseguiram o reino de volta. E todo o povo, as guerreiras, o príncipe e a princesa finalmente puderam ter paz.
Autor: Daniel Queiroz Silva
EMEF Cel Helio Franco
Chaves DRE - JT
Professora
orientadora: Fernanda Noronha
de Amorim Mondevaim
Disponível em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/Antologia_Contos_2020_web-1.pdf
(Inspirado no conto: Branca de Neve. https://www.grimmstories.com/pt/grimm_contos/ branca_de_neve, 2020. Acesso
em 01/08/2020.)
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