Uma força
Por Gustavo de Oliveira Silva
Em uma certa noite, um garoto chamado
Gabriel, que morava perto de uma
mansão abandonada, chamou seus
amigos, João e Luan, para se divertirem em
sua casa. No meio de tanta brincadeira, os amigos decidiram aventurar-se e entrarem na mansão, para verem o
que havia dentro.
Quando entraram na residência, avistaram móveis antigos e cheios de pó, pois ninguém pisava ali havia muito tempo. Não viram nada de mais, só que quando estavam saindo, ouviram o barulho de papel sendo amassado e um disse ao outro:
– Escutaram isso? – Perguntou
Gabriel.
– O que? – Questionou Luan.
– Eu pisei em alguma coisa. – Disse João. Quando os meninos foram ver o que era, encontraram um livro antigo, que estava completamen-te coberto de poeira. Curiosos, pegaram o objeto e o levaram para casa, no intuito de saberem o que estava escrito nele.
Após limparem, estavam ávidos para conhecerem seu conteúdo. Segundo a história escrita nele, havia uma espada de um reino desconhecido chama- do Halia, a qual pertencia a uma pessoa muito importante de lá que era descendente de um bondoso rei que havia morrido há muito tempo. A espada, teria um papel muito importante em Halia, pois somente em boas mãos, o reino conseguiria manter a paz. Ela havia sido roubada por um homem muito mau, chamado Harper. Assim, a terra distante havia ficado desorganizada.
Após lerem sobre a espada e o reino, os meni- nos sumiram do nada, como num passe de mágica e foram teletransportados misteriosamente até Halia. Quando chegaram lá, ficaram surpresos:
– Onde estamos? O que aconteceu conosco? – Perguntou com medo Gabriel.
– Eu não me lembro! Só me recordo que estávamos lendo aquele livro...
– Gente, vamos parar para pensar... eu acho que o livro nos trouxe até aqui para recuperarmos a espada e salvarmos Halia! – Exclamou animado João.
Começaram então a andar pelo reino e procurar alguma forma de recuperarem a espada. Passavam pelas ruas tentando falar com as pessoas para conseguirem alguma informação, só que todos que abordavam não os entendiam, pois o povo de Halia não falava português.
A noite chegou e os meninos estavam apavorados, pois tudo estava escuro e começava a cho ver. Não demorou muito e a chuva engrossou. Eles tinham que procurar algum lugar, urgente, para se abrigarem. De repente, avistaram uma garota um pouco mais velha do que eles, que aproximou-se, quando os ouviu conversando.
– Olá, vocês falam Português? Quem são vo- cês? – Perguntou a menina, animada.
– Somos um grupo de amigos e viemos parar aqui sem querer disse Luan.
– Vamos, entrem para se aquecerem, está chovendo muito!
Os garotos entraram, e acomodaram-se na casa dela, que havia sido cedida por uma antiga senhora de Halia que já havia morrido.
– Oh, desculpe! Na pressa nem nos apresentamos... Eu sou Gabriel, esse é Luan e aquele é o João.
– Muito prazer, eu sou Anna! Como exatamente vieram parar aqui?
Os meninos entreolharam-se e decidiram contar a verdade para Anna...
– Nós estávamos lendo um livro sobre a espada sagrada deste reino, quando, do nada fomos, tele transportados para Halia! Não nos ache bobos, essa é a pura verdade!
Quando os garotos disseram isso, Anna ficou surpresa, os amigos perguntaram o porquê... só que ela não quis conversar mais e mudou o assunto, porém prometeu a eles que os ajudaria. E logo depois foram se deitar.
No dia seguinte, passeando pelas ruas de
Halia para conhecerem um pouco mais
sobre o reino, as crianças depararam-se com um homem assaltando outro que comprava mantimentos. Anna o
reconheceu como sendo um dos capangas
de Harper.
Os garotos decidiram
segui-lo discretamente, mas a estrada ficava cada vez mais
deserta e assustadora, tornando-se
mais fácil o capanga descobrir que estava
sendo seguido. Só que eles não pararam, disfarçando-se em meio às árvores e plantas que haviam nas beiras
da estrada...
Não demorou muito até chegarem ao lugar em que o Harper morava. Eles não poderiam entrar, pois havia outros capangas montando guarda nos portões.
Os amigos perceberam que o lugar era bem monitorado,
pois ninguém, de nenhuma forma, poderia chegar até Harper e a espada. E então,
armaram um plano rápido: Anna chegou
como se estivesse perdida até os capangas, perguntando se aquela estrada
levava até a floresta.
Distraídos, não perceberam a entrada dos
três amigos e diante da resposta afirmativa, Anna fingiu que foi embora e ficou espiando,
escondida.
Após entrarem na casa de Harper, os meninos passaram a procurar pela espada. Harper apareceu bem atrás deles e ficou enfurecido, perguntando aos garotos, em Português, onde eles haviam encontra- do a espada. Naquele momento, perceberam que o próprio livro era o objeto procurado e pretendiam sair correndo, para o entregarem às autoridades. Mas Harper era um feiticeiro muito poderoso e num lance mágico, prendeu os garotos com cordas vivas, o que fez o malévolo apoderar-se facilmente do livro. Então ele próprio começou a ler trechos em voz alta, nos quais estava escrito que apenas a pessoa descendente do antigo rei benevolente poderia resgatar a tranquilidade para aquele povo. Ele revelou ainda mais: que o objeto havia sido levado por esse antigo rei para uma terra distante e que o livro, assim como ele, tinha o poder de mudar de idioma conforme o lugar que estivesse, quem o lesse ou com quem falasse.
Naquele momento, descendo de mansinho pelas paredes internas da chaminé, chegou Anna, toda esfolada, por trás de Harper, fazendo sinal de silêncio e tomando-lhe de uma só vez o livro. Anna começou a falar alto e em bom som:
– O que você não sabe, Harper, é que EU
sou a descendente do antigo rei
benevolente! Eu herdei de meu avô a
inteligência e os poderes da comunicação! Por
isso, este livro é a espada sagrada! Porque não há arma mais poderosa
do que um livro!
Dizendo isso, a garota apontou o livro
em direção ao medalhão de Harper e
todo o mal que havia ali ficou
aprisionado na história. Isso acabou com todos
os conflitos que haviam em Halia. A paisagem tornou-se viçosa e primaveril.
Os amigos, já libertos, despediram-se da nova rainha, que ao recitar trechos do livro, transportou-os finalmente de volta ao seu mundo, onde tudo continuava normal.
Autor: Gustavo de Oliveira Silva (7º Ano)
EMEF Marli Ferraz Torres Bonfim DRE - CL
Professora orientadora Shirley Rocha Correia
Disponível
em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/Antologia_Contos_2020_web-1.pdf
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