sábado, 19 de março de 2022

Conto popular "O tesouro e as três irmãs"

 

O tesouro e as três irmãs

Por Ana Karoline Costa Souza


Era uma vez, um homem que morava com suas três filhas num vilarejo em um chalé simples. Júlia que era muito vaidosa e a mais velha das três, Rebeca, a do meio, que era muito egoísta e por último Clara, a mais nova e mais obediente das irmãs.

Em um dia muito ensolarado, o pai das três ficou muito doente e as chamou até o quarto onde estava deitado.

   Minhas filhas... seu pai está muito doente e perto do fim, mas antes quero que vocês façam um desafio e assim quem ganhar, levará meus bens consigo – disse o homem olhando para as filhas que estavam ao redor de sua cama.

  Que desafio seria esse, meu pai? – perguntou Rebeca.

   Quero que cada uma de vocês traga meu tesouro, que deixei depois do bosque. Esse lugar é vigiado por criaturas mágicas e maldosas, cuidado! – argumentou o pai que que tinha a fadiga estampada em seu rosto.

Depois daquele dia, as três irmãs foram em busca do tesouro, cada uma foi em um caminho diferente, mas que chegava no mesmo destino, o tesouro. Júlia andou pelo bosque, mas com certeza não estava gostando nada, sentia nojo de tudo e medo dos animais que vivam lá, até que ouviu uma voz perto de uma árvore.

   Ei, ei, menina... – falou a voz – e assim se re- velando uma criatura metade cobra e metade pássaro.

    O que queres de mim? – perguntou, Júlia, com receio.

   Você é muito bela! Tenho uma fruta que te tornará a mais bonita do mundo

 – ofereceu a criatura uma maçã que brilhava na luz do sol.

Sem esperar, Júlia pegou a maçã e mordeu, sentindo-se um pouco enjoada, sentou-se numa pedra, colocando a mão na cabeça para apoiá-la. Passados alguns segundos, ela pegou seu espelho, que sempre levava consigo e viu que estava com uma aparência horrível. Sentindo-se enganada, começou a procurar a criatura que acabou desaparecendo e levando consigo a joias de Júlia. A mesma, com medo de que alguém visse sua aparência e a julgasse, escondeu-se numa caverna, lamentando-se.

Rebeca por sua vez, estava com um ar de atitude, usando seu facão arrancava as árvores que cruzavam seu caminho.

– Esse tesouro será só meu, minhas irmãs nunca conseguirão chegar ao tal tesouro antes de mim    pensou, Rebeca.

Em alguns minutos, Rebeca se surpreendeu vendo umas pequenas criaturas, com olhos enormes como os de cachorros pidões e roupas verdes, da cor das folhas das árvores, bloqueando seu caminho.

   Você arrancou nossas casas! Você vai pagar por isso! – disse uma das criaturas.

   Não me importo com vocês, saiam da minha frente, tenho algo a mais pra me preocupar! – exclamou Rebeca secando o suor da testa.

   Você só se importa com você, o egoísmo te tornou uma pessoa maldosa! 

– Após uma criatura dizer isso em um tom alto, um enorme vento forte veio em direção à Rebeca, levando-a para longe, se perdendo em um lugar desconhecido, onde se sentia a solidão passar com as brisas geladas do ambiente.

Enquanto isso, Clara caminhava cantando e se distraindo com as flores e os animais que no bosque ficavam. Até que ela se deparou com uma senhora, que tinha cabelos brancos como algodão e um vesti- do simples roxo.

    Oi, minha senhora! falou Clara, aproxi mando-se dela.

   Oi, minha jovem, estou precisando de ajuda, estou muito velha para carregar essas mangas. Você poderia levá-las até minha casa? perguntou a senhora com as mãos nas costas.

Sem demorar muito, Clara ajudou a senhora, levando as mangas até sua casa, que não ficava muito longe do bosque.

  Obrigada, minha linda jovem, e pela sua bondade, te recompensarei com este espelho mágico. Ele te ajuda a encontrar tudo que desejas – disse a Senhora, dando o espelho a Clara. E assim, Clara partiu rumo ao tesouro.

  Queria achar o tesouro, está muito quente!

Logo que Clara disse isso, o espelho mostrou o caminho mais rápido para chegar ao tesouro. Clara seguiu os comandos do espelho e, assim, encontrou o que procurava.

Correu de volta para casa e chegando ao chalé, Clara entregou o tesouro ao pai, que imediatamente abriu e assim se revelando livros e fotos, que pare- ciam bem antigas.

  Filha... o maior tesouro é o conhecimento e o amor! explicou o pai abrindo um livro e passando as páginas.

Alguns meses mais tarde, o pai das três irmãs faleceu e Clara usou os bens herdados para ajudar as pessoas que necessitavam. Rebeca, com seu egoísmo, viveu o resto de sua vida sozinha naquele lugar escuro e solitário. Júlia, com sua vaidade, acabou não voltando para casa e viveu na caverna por muitos anos.

E assim termina a história do tesouro e das três irmãs.

 

Autora: Ana Karoline Costa Souza

 EMEF Brigadeiro Faria Lima

DRE - IP

Professora orientadora: Eliana Pardo Pulz Doiche

 

Disponível em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/Antologia_Contos_2020_web-1.pdf 


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